2004-12-15

 

A DESCOLIGAÇÃO

Às 20h30m os portugueses conheceram mais uma extraordinária originalidade: PSD e PP vão concorrer descoligados. Numa pirueta ao mais belo estilo circense os líderes dos dois partidos assinaram um pacto em público e em directo. Portas e Santana apresentaram-se com dificuldade em articular a sua comunicação, exibindo uma clara incapacidade de acreditar nas suas próprias palavras, não se conseguindo sequer convencer a si próprios. Não há, de facto, imaginação que consiga dar alguma côr (já não digo substãncia que era pedir o impossivel) a este desgraçado "acordo". Não há a mais pequena noção do ridículo.
O PSD depois de ter convidado publicamente o seu parceiro no “Governo” contenta-se, assim, com um beijo de despedida.
Vai ser interessante assistir à materialização deste trato na estrada, na dureza de uma campanha. Ambos conhecem as nulas hipóteses de vencer as próximas eleições, projectam já a sua própria sobrevivência política. Nos próximos dias ensaiarão uma harmonia própria do universo celeste, concentrando a sua atenção nos "poderosos" que os impediram de proteger os mais pobres. Ainda farão algumas criticas ao PS. Mas à medida que começar a aproximar-se a campanha será dada luz verde aos personagens (tradicionalmente designados por “terceiras e segundas linhas”) que deixarão notas e observações desconfortáveis sobre o parceiro de descoligação, sempre desmentidas pelo líder. Quando as sondagens lhes traduzirem o descalabro envolver-se-ão numa louca corrida à divisão das migalhas.
Nesta perigosa estratégia o “Pedro” enredar-se-á em pequenas e grandes confusões. Acabará irritado, acusará o seu partido de falta de lealdade e o parceiro de descoligação de traição. Portas, entretanto, ficará satisfeito se conseguir aumentar o número de deputados do PP e assumirá o alívio do damage control, terá palco para mais quatro anos.

Comentários:
Assertivo este artigo mas levanta-me uma inquietação pensa que Santana sabe que vai perder as eleições? Não só isso não é tão liquido como objectivamente não é o pensamento dele
 
Faltou a inevitavel assinatura.
Lagrimas.blogs.sapo.pt
Abraço
 
Paulo Portas é que manda!
Santana queria coligação, tentou até à última hora, levou tampa!
Portas é que manda. Parece mentira!
 
Chegai-lhes e nunca os poupeis. Pelo politicamente incorrecto, marchar e não murchar.
Parabéns pelo blog.
 
É uma novela!
 
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