2005-01-22

 

LEITURAS "PIMBA"

No final de uma semana particularmente cansativa de viagens e afazeres profissionais, confesso que, volta não volta, me dá para baixar as guardas e entrar, com estrondo, por caminhos que dificilmente trilharia. Aconteceu-me hoje fazê-lo, dando-me ao trabalho de ler uma entrevista na revista Sábado de hoje. A entrevistada é a senhora dona Manuela Moura Guedes a quem alguém disse (na brincadeira, mas a senhora tomou a coisa como sendo séria) que tinha muito jeito para comentadora.
Ei-la em visível delírio: “a ideia que o jornalista tem de ser cinzento e neutro está completamente ultrapassada. Tenho de partir do príncipio de que as pessoas não são estúpidas e sabem distinguir entre a noticia e o comentário”. Só esta frase diz muito da senhora.
Os inenarráveis e intermináveis programas de entretenimento com dramas domésticos, cenas de faca e alguidar e outros desmandos a que prosaicamente chamaram “Jornal Nacional” constituem um interessante campo de investigação para quem esteja interessado no “kitsch” nacional. Mais: esta senhora que gosta de terminar qualquer peça com um elegante “é, ...” seguindo-se invariavelmente um comentário digno de figurar na galeria deste post, ainda não percebeu (e pelos vistos não vai perceber nunca) que só neste programa de variedades poderá ter lugar com os seus inefáveis chistes.
A senhora que, de resto, não encontra qualquer incómodo por ter sido eleita deputada por um partido político, ou por ter gravado um anúncio a um detergente, é natural que ache que “a ideia que o jornalista tem de ser cinzento e neutro está completamente ultrapassada”, pois com certeza.
E para quando encerrar um destes seus programas com um faduncho cantado pela própria, com letra apropriada ao “comentário” ou, ainda melhor, garantir-nos a todos a suprema felicidade de a comentar?

Comentários:
Tive curiosidade e li a entrevista.
Na parte do jornalismo, palavras para quê? Já se conhece a personagem.
Nos outros domínios, confesso que me surpreendeu. Desde a adolescência, aos colegas de faculdade referidos, passando pelo actual marido.
 
O nível desse programa a que chamam "Jornal Nacional",e dessa senhora em particular, é tal que sugeriria a quem de direito que a sua designação passasse a ser qualquer coisa como "Quinta da Manela". A palavra "Informação" que lamentavelmente vem dando para esconder tanta miséria iria por certo sentir-se menos ofendida.
 
É...!
 
Só às terças-feiras aquele Jornal novelesco se torna sofrível, por espaços, pela presença do Miguel Sousa Tavares, desde que o assunto a comentar não envolva o FCP, porque, então, o delírio é completo e nem com ele o jornal se salva. Enfim, é mais um caso de um casal de manifesto sucesso social e informativo, para multidões entontecidas, em que, eles e outros, vão transformando esta velha Nação de quase 9 séculos...
 
É muito raro ver e principalmente ouvir a esposa do Director do caneiro de Queluz e sempre que isso acontece, tem que ser no televisor 70 cm para conseguir apanhar-lhe o sorriso completo.
Só suporto ligeiramente a dita, quando ela encosta o taliban da Antas à cadeira, creio que às terças-feiras.
 
Já nem ouço a "boca de raia"!
 
Luís, acredita que, ontem, quando fui buscar o jornal, me lembrei de ver se havia a tal revista?
Pois foi! E havia!
O que ainda não houve foi 'pachorra' para a ler. E 'coragem', também não, porque tenho a estranha sensação de que, quando abrir a revista, a senhora vai saltar de lá aos gritos...
 
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