2005-01-06

 

A METAMORFOSE DO PSD

O PSD vive um processo de metamorfose que dificilmente inverterá. A actual constituição das listas representa mais um desses inexoráveis processos. Santana está a colocar a sua gente em posições de destaque, o que implica o despautério de convidar “socialites” (e ouvir a humilhante recusa), fadistas e quejandos para abrilhantar o espectáculo.
Quaisquer que sejam os resultados do dia 20 de Fevereiro vai procurar na perseguição que lhe foi movida a razão da derrota. Não abandonará a presidência do partido, colocando-se, de imediato, pronto para mais um “combate”. A saga continuará.
Arrastar-se-á uma dolorosa luta interna, sendo difícil encontrar alguém disponível para corporizar uma mudança no PSD. O partido estará “minado”. Na Assembleia da República e nos lugares chave, estarão as gentes de Santana.
O rasto destes últimos meses deixará uma lúgubre memória que impedirá ao futuro líder qualquer argumentação credível. A saída indecorosa de Durão Barroso anula a fuga de Guterres. As trapalhadas protagonizadas por Santana Lopes tornarão a recordação dos últimos anos do Governo Guterres bastante menos agreste. O desnorte das finanças públicas (com o repetido anúncio da chegada da retoma que tal como Godot faltou à chamada), não deixará margem para recordar Manuela Ferreira Leite.
A imagem do PSD ficará lastimosamente afectada.
Talvez então se procure compreender como foi possível que um partido com as responsabilidades do PSD tenha perdido (em escassos meses) o capital de credibilidade que construiu ao longo dos 30 anos de Democracia, às mãos de Pedro Santana Lopes e da sua gente.

Comentários:
Concordo que se trata de uma metamorfose quase Kafkiana. Mas creio que era previsivel que isso acontecesse, ou não fosse o PSD um partido cuja "Inteligenzia" está toda bem na vida e não dá mais para o peditório, e só a mediocridade é que anda em bicos de pés, à procura de protagonismo.
 
Concordo plenamente. Já em Julho havia escrito um texto que intitulei «Para uma Necessária Regeneração Política», em que, modestamente, procurava traçar um diagnóstico genérico, acompanhado de uma espécie de repto às pessoas com sensibilidade social-democrática, para que tomassem consciência da situação e se dispusessem a agir, no sentido de se forjar uma alternativa à actual mediocridade reinante, aliada ainda a uma certa venalidade larvar que pode vir a ser fatal. Muitas vezes tenho insistido junto de Pacheco Pereira, no Veritas Filia Temporis e no outro blogue dos Estudos do Comunismo, para ver se ele se propõe desencadear um movimento de regeneração dentro do espaço da social-democracia, aproveitando a sua credibilidade, prestígio e capacidade de influência, nomeadamente, a grande notoriedade mediática que possui e a permanente predisposição intelectual manifestada para o debate de ideias, em que revela notável originalidade reflexiva. Infelizmente, sem êxito, até ao presente, mas pode ser que, com outras vozes, essa onda se agigante e acabe por fazer surgir a necessária alternativa. De contrário, todos perdemos, os social-democratas e o País muito mais.
 
Caro Luís Sequeira,
Esta é uma obra que se ficou a dever à sopa fria que Durão Barroso quis servir quando foi tratar da vida.
Sabendo que era preciso arrumar PSL para que daqui a uns anitos ele próprio pudesse concorrer a PR e juntando este útil ao agradável de ir falar francês para a Europa, abriu o caminho pouco se importando com os valores da democracia portuguesa.
Atirou com o prematuro para a chocadeira e mandou que os outos galos o esbofeteassem. Trabalho limpo. Deve estar-se a rir à gargalhada.
Um abraço
 
Embora a preocupação com o PSD não faça parte da minha lista de preocupações, não deixo de ficar perplexa com o que está a passar-se.
Onde andam, o que pensam e o que esperam algumas individualidades que merecem credibilidade?...
Chega a parecer-me que existe uma intenção orquestrada, mas não assumida, de deixar que a situação se torne insustentável, não só pelas barbaridades cometidas, mas, também, pelo nível de pessoas que se vão posicionando, para, depois, se deixar cair este PSD e fundar um outro partido.
Talvez em Fevereiro encontre resposta para esta pergunta.
DespenteadaMental
 
Palpita-me que vai ser uma autêntica banhada!
 
Concordo completamente.
A democracia é selectiva, o povo traduzirá isto em votos.
 
ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE OSTEOPOROSE

Vimos por este meio exigir a Retirada Imediata da Fotografia do Dr. Sá Carneiro do Poster do PSD, para não lhe destruir os Ossos!

RIAPA


www.riapa.no.sapo.pt
 
Não sei se constrói a sua opinião do “partido minado de santanistas” também apoiado pela opinião de Pacheco Pereira emitida ontem na Quadratura do Circulo? Olhe que há para ali algo mal resolvido. O partido está a ser minado, essencialmente de minas de brincar, no dia em que o “Pedro” cair, logo essa fauna ficará tonta e pronta a prestar vassalagem ao próximo líder. A gente de Santana é feita de mediatismo não de convicções, nem de trabalho e felizmente grande parte deles também não se apresentam como pérfidos intriguistas capazes de provocar uma cisão no partido ou dificultar substancialmente o futuro líder. O problema central continua a ser Pedro, a sua horda apressadamente abandonará o seu líder quando a queda for consumada.
Concordo consigo no momento seguinte. Quem vai levantar o partido ? Marcelo ?

Você deprime-me pela possibilidade contida numa simples frase “ a saga continuará”

Lagrima.blogs.sapo.pt
 
Caro Vitor José, confesso-lhe que não vi as afirmações que refere de JPP, quando me meciono minado quero sobretudo referir que o campo estará ocupado por gente que podendo aderir a "uma nova onda" foi, ainda assim, escolhida por PSL e seguramente não constituirão as "tropas" que qualquer novo líder desejaria.
 
(Ainda a tempo)
A meu ver,o PSD necessita absolutamente de um "Édipo", porque enquanto não matar o Pai, está sujeito à influência perniciosa de alguns Tios que, dentro ou fora, vão minando a engrenagem.
Vejo o problema com um grande distanciamento, porque se trata de um partido que me passa completamente "a latere", mas mesmo assim interrogo-me: o que é, hoje, ser-se Social-Democrata no PSD?
 
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