2005-01-22

 

O "GUERREIRO MENINO"

A entrevista de Santana Lopes ontem à SIC Notícias constituirá, por certo, matéria para aturada análise de psicanalistas interessados nos insondáveis campos da personalidade.
Em todo o caso há por ali alguns pontos a merecer reflexão. Um dos que mais me incomodou foi a indecorosa afirmação do primeiro-ministro lembrando que a decisão relativamente às SCUT não tinha sido do ministro Mexia, tão-pouco do governo, mas sim dele próprio. Ele, num esforço, que se presume titânico, convenceu o Ministro (averso à medida), não sabemos se pela força dos seus argumentos se pela imposição da autoridade do seu cargo, pouco importa.
Percebe-se que Santana Lopes queira que lhe seja creditada uma das poucas decisões com alguma substância e lógica tomada pelo elenco governativo, percebe-se também que Santana veja em Mexia mais um dos muitos putativos candidatos à sua sucessão e lhe queira retirar alguns louros. Percebe-se tudo isso, agora o que não se compreende é que seja o próprio primeiro-ministro a trazer para a praça pública tricas e questões menores da acção governativa e a colocar-se nesta inexplicável posição inferior.
As decisões tomadas em Conselho de Ministros são colegiais, logo assumidas por todo o Governo. Mais do que a autoria desta ou daquela medida, o crédito final é sempre do primeiro-ministro (positivo, ou negativo). Ao ter trazido esta questão para a entrevista, Santana Lopes diminui-se e demonstra como para ele a acção governativa e a política se conjuga na primeira pessoa do singular, como tudo se limita ao seu pequeno horizonte, ao culto da sua própria personalidade. Estas atitudes tornam compreensiveis as dissenções que estavam a minar o governo.
Santana ao invés de ser o polo aglutinador é, ele próprio, a fonte de problemas e de jogos de bastidores, fomenta braços de ferro de protagonismo. A inconstância e trapalhadas que marcaram este executivo têm esta origem.
Eis Santana Lopes numa campanha consigo próprio, exibindo a permanente necessidade de ser amado, o tal “menino guerreiro” que as almas do seu marketing trouxeram para a campanha num indizível videoclip de extraordinária piroseira.


ADENDA - Sobre a cobertura televisiva desta noite, vale a pena ler este texto de Luís Novaes Tito e este outro de Rui Cerdeira Branco.

Comentários:
Com o que dizes, O Santana já não te vai nomear para nenhum tacho. Mas eu, sim!
Passa pelo
peciscas.blogspot.com
 
Caro Luís,
O Ministro do Compromisso (o que defende a pátria e assim que pode vende-se a Espanha por dois torrões de Alicante) não "tira" o lugar ao actual líder, por que ele não é militante.
A "pirosa" música merece um textozito, a publicar um dia destes. Tal não é a qualidade da letra!
 
Quanto a Santana Lopes, depois do que vi há dias no "expresso da meia noite" já tudo cai como uma luva.
Mas estranha mesma foi a informação que nos chegou ontem através das televisões.Na altura fiquei com a sensação de me ter distraido com algo e ter perdido o tempo!
Mesmo a propósito, se quizer ter a maçada, leia o post e o comentário que deixei no Nónio em http://nonioblog.blogspot.com/2005/01/inveja-ou-ignorncia.html
Um abraço
 
Tem razão CMC quando refere que Mexia (ainda) não é militante e como tal não poderá disputar a liderança do partido. Uma nota de correcção que deve ser efectuada, mas que não altera o teor do texto. Obrigado.
 
António Mexia foi uma «descoberta» do Pina Moura, que o levou em tempos para o Galp, onde ganhou fama de alto gestor, também especialista em temas de energia, da mesma forma que aqueles que confundem as unidades de potência, com as de energia. Coisas de somenos para a Alta Gestão, que só cura dos fluxos financeiros e desdenha dessas ninharias da Física, que, de resto, dão poucas Mercedez, digo, mercês.
 
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