2005-01-16

 

À PROCURA DA MORAL REPUBLICANA

Nestes tempos de incertezas várias, proponho para debate a moral republicana, reflexão que será aquilo que os visitantes desta “casa” quiserem que seja.

Primeiras notas necessariamente breves e sumárias:
A moral repúblicana assume o Homem e as suas circunstâncias. Não tem ilusões quanto a homens providenciais e procura na honra, na ética e no mérito as bases para o serviço público.
Num tempo de protagonistas, de desvario na luta pela imagem, da cultura do “facilitismo”, da procura de receitas mágicas a exigir pouco esforço, das soluções ao virar da esquina e alguma desorientação, a moral repúblicana tem sido esquecida.
A gestão da coisa pública constitui uma honra, o poder político com o trabalho em prol da sociedade assume uma dimensão maior. A comunidade ao conferir aos eleitos a responsabilidade pelo serviço público pede-lhes capacidade de realização e visão, requer méritos e capacidades suficientes para as tarefas que lhe são atribuídas, exige-lhes um comportamento, no desempenho das suas funções, honrado, ético e justo.
A moral repúblicana apela a uma dinâmica social, ao trabalho e à dedicação.
É tarefa para grupos de cidadãos, não de um indivíduo. É tarefa para cidadãos capazes, independentemente das suas origens, credo, raça, formação - os primeiros entre iguais. Cidadãos iguais em direito e deveres, com virtudes e defeitos, simples mortais, que ocupam, momentaneamente, funções públicas.
Evidentemente, implica que se tome o caminho mais difícil com visão de longo prazo.
Na essência simples, temos esquecido com frequência este princípio.
(continua)

Ao contrário de outros não julgo que a política esteja condenada e que os políticos sejam todos uns incapazes. Entendo que o grau de exigência deve ser elevado, e que não deveremos hesitar denunciar os menos capazes, os indignos, e aqueles que têm da política uma visão tacanha e a vêem como forma de projecção sem qualquer ideia de serviço público. Entendo que não podemos baixar os braços numa atitude perigosa de resignação.
Primeiras notas para debate, contando com as observações, comentários, criticas e propostas dos frequentadores desta abnegada “casa”.

Comentários:
Pensamento convergente anda por aí disperso. Sinto que há muito a sociedade portuguesa não apresentava um descrédito tão grande dos partidos e políticos habituais, que continuamente se desacreditaram, pela sua incompetência e falta de carácter. Custa ver o centro político mais representativo, PSD e PS,entregue a figuras meramente mediáticas, sem substância, sem doutrina, apenas fabricando truques e expedientes para se manterem no poder. O país empobrece a cada dia que passa, em todos os sentidos em que o consideremos. O diagnóstico está feito, até por gente de mais. É preciso terminar com a fase do diagnóstico e exigir acção terapêutica eficaz. Como agir, onde, quando e com quem ?
 
Parabéns pelo post.
 
Concordo consigo, Luís - a política não está condenada e os políticos não são todos incapazes. No entanto, penso que temos de reconhecer que o estado rasteiro a que isto chegou se deve à permissão dos políticos capazes, deixando que, dentro dos seus partidos, se acoitassem e afirmassem os que, hoje, nos dão a triste imagem que temos e que, se não forem travados, dominarão os capazes ou os levarão a abandonar a actividade política.
Sendo impensável, por inexequível, um levantamento civil que fizesse uma salutar sabonária, penso que o retorno ao trabalho político e público com seriedade tem de passar pelas forças organizadas que temos, mas não vejo que estejam para aí viradas, por enquanto...
Já vou perdendo a paciência, mas ainda não perdi a esperança.
 
O conceito de ética e de moral da maioria -digo maioria-da nossa classe politica, não seria diferente se porventura vivessemos em monarquia e se, claro está, se mantivessem os parâmetros de desenvolvimento cultural e educacional que existem.
Não sei se é um problema geracional, mas que é um problema da actual geração politica, não tenho dúvidas.
 
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