2005-02-11

 
Quem visita esta “casa” sabe que não sou dado a reflexões intimistas. Permitam que, por uma vez, o faça.
O exercício da escrita e da apresentação de ideias e opiniões é uma forma outra de respirar, de cumprir uma vontade, um impulso, uma necessidade.
O Abnegado começou no dia 10 de Novembro 2004 para dar corpo a essa necessidade. Tem sido, desde então, um vicío saudável que quase ganhou vida própria.
Este convívio diário com as palavras e a sua magia, com a exposição de opiniões e vagas ideias é inebriante, mais ainda para quem faz da Gestão e Economia a sua profissão.
Há, contudo, alturas em que temos de enfrentar a mais dura realidade que a Economia nos ensina: a escassez dos bens. E neste caso o tempo é, claramente, o bem mais escasso. Geri-lo implica fazer opções (dolorosas que sejam).
Ao longo destes três meses fui fazendo a gestão quase demencial do tempo, deixando para trás o doutoramento que ficou em ilusório estado de “congelamento”, mantendo a coluna quinzenal das quintas-feiras no “Jornal de Negócios” (que continuarei enquanto por lá me quiserem), as exigências (muitas) da profissão e, sobretudo, a atenção que uma familia com três filhos merece. Sabia no meu íntimo que tentava o impossivel.
Chegou a altura de “descongelar” a investigação com o natural investimento em tempo e dedicação e reordenar prioridades.
Eis uma nota mais intimista para justificar uma redução muito substancial de publicação de textos no Abnegado, não será ainda o fim, mas quase.
Regressarei sempre que o impulso da escrita aqui me trouxer, na esperança que persista quem tenha interesse em lêr algumas palavras salteadas, traduzindo ideias muito vagas, opiniões inflamadas escritas em estílo fraquito. (mais um bocadinho e colocava-me dentro do “salão de festas”, livra!).
É também uma boa ocasião para agradecer a todos quantos, apesar do que disse na parágrafo anterior, por aqui têm passado, com maior ou menor regularidade. Os debates e comentários têm sido de impressionante qualidade traduzindo bem o nível qualitativo da blogosfera. Percebe-se que muita coisa está a “borbulhar” na blogos, é um Portugal diferente e bastante mais recomendável que aqui se respira, motivo para algum optimismo quanto ao nosso futuro colectivo.

Comentários:
Caro Luis
Eu não vou fazer chantagem, mas o Abnegado é um dos poucos referências de que não vou saber abdicar!!!
 
Perdão. Queria escrever "referenciais".
 
Caro Luís,
Isto é que é um verdadeiro choque!
A vida profissional e familiar deve estar à frente de tudo, mas por favor arranje um pouquito de tempo para postar. O Abnegado está a tornar-se uma referência na blogosfera.
 
Caro Luís

Esperemos que o "impulso da escrita" o traga de regresso. Sentiremos a aua falta.
 
O teu lugar à mesa só pode ser ocupado por ti. Como tal, até já.
 
Luís,
Entendo a dificuldade em gerir tantas 'frentes', sendo o tempo escasso, mas... agora, que está a aproximar-se o grande dia, é que vai deixar de dar o empurrão final?...
Combinamos assim: Um 'post' por semana. Certo?...
Fico à espera.
Um grande abraço e, entretanto, muito obrigada por todas as ideias e impressões que trocou connosco.
Até já...
 
Era eu...
DespenteadaMental
 
Caro Luís,

Atrevo-me a pedir-lhe um serviço mínimo de actividade bloguista. Caso contrário, considerarei um lock out, claramente ao arrepio da lei, que nem com o pressuroso afã do Bagão Félix em introduzir-lhe as estimulantes flexibilidades pós-modernas, ficou capaz de o permitir. Cautela, pois, com essa premeditada infracção.
 
Não vou deixar de lhe bater à porta todos os dias, na expectativa de espreitar para o Salão de Festas e outras divisões, já que sou um bisbilhoteiro incorrigível.
Refiro-me obviamente ao que vale a pena...
Um abraço e até sempre
 
Certamente arranjar-se-á sempre uns minutinhos para o pessoal.
Tudo de bom para si, comprendo a situação.
 
Aqui está um escrito que entendo (se entendo...) mas que espero, não seja uma despedida.
Dar uma espreita diária a este Abnegado faz já parte da rotina.
Duma rotina que não gostaria de quebrar.
 
Que má ideia a minha, ainda que as razões sejam compreensíveis! Espero que a mesma saudade que me trouxe de votla, o traga também. Até...
 
Ora aqui está mais um exemplo de como as novas tecnologias e as novas formas de comunicação podem ser mais do que instrumentos de trabalho, às vezes desumanizado. Afinal, somos como que uma família a ter conhecimento dos projectos de um dos nossos membros, a desejar-lhe, do coração, felicidades e a pedir-lhe, ainda que pouca, alguma atenção. FORÇA!
 
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