2005-05-16

 

HÁBITOS ANTIGOS, DESGRAÇAS PERMANENTES

Os semblantes apresentam-se, compreensivelmente, fechados. O país acorda uma vez mais para o pesadelo permanente em que se transformou esta nossa triste existência colectiva.
Numa aparição recorrente aí anda de novo (cada vez mais anafado) o défice. Nele, a exibição da nossa estúpida e desgraçada incapacidade para governarmos a casa, a nossa casinha.
Num estranho hábito, persistimos em varrer o lixo para debaixo do tapete, volta não volta vendem-se umas pratas, umas mobilias antigas, compra-se um tapete mais resistente, aumenta-se a ilusão.
Haverá o dia em que o lixo acumulado garantirá a força da sua presença, impedirá qualquer esforço de alucinação, gritar-nos-á o opróbio da sua existência. Aparecer-nos-á vestido de número, numa exuberante fatiota de cores berrantes em forma de sete.
Braços caídos, no desespero dos falidos, talvez então nos ocorra a lembrança dos garbosos defensores do tesouro, os excelsos e tão gabados artífices dessa extraordinária manobra de "recuperação" das finanças. Talvez então nos ocorra pedir contas a esses excelentes personagens.
No final, seremos sempre confrontados com a força dos hábitos antigos, as nossas permanentes desgraças!

Comentários:
Subscrevo inteiramente este texto! Estou apreensivo com a nossa vivência colectiva e o Luís conseguiu traduzir (uma vez mais!) por palavras (certas) a preocupação que nos vai no espírito . Um abraço.
 
A mulher a dias varreu para debaixo do tapete, o pessoal assistiu e quase aplaudiu, agora alguém resolveu retirar o tapete...
Culpas? "Vejam só! Eu que tinha deixado tudo tão arrumadinho..."
 
O défice terá que ser colmatado, mas não à custa dos mesmos.
Será o PS capaz disso?!
Tenho as minhas dúvidas!
 
Caríssimo Luís,
O que é preciso é não nos esquecermos de que o aumento do "lixo acumulado" acontece desde há muitos, muitos anos; desde há muitas legislaturas. Foi aumentando enquanto muitos de nós acreditámos (e ainda acreditamos)que o estado podia tirar a uns para dar ainda mais a outros e a tudo prover. A diferença entre essas duas partes cresceu até ao sete "vestido de número, numa exuberante fatiota de cores berrantes".
 
Meu Caro,
Será que é inevitável? Que vão ser os mesmos de sempre a continuar a chafurdar no dito?
 
E não temos todos nós, uma grande dose de culpa? O português detesta ser chamado á responsabilidade, prefere fazer que não vê o lixo e vai disfarçadamente varrendo para debaixo do tapete. Se há que assumir responsabilidades e mudar as coisas, já é hora disso. Há muito tempo que há uma arrastar das coisas. Não há mais espaço para mais lixo.
 
É bem verdade que o português detesta ser chamado à pedra. O que é mais grave ainda é que existem por aí uns e outros que para além de contribuírem para esta desgraça ainda se congratulam com ela. Comproveio-o hoje ao aceder aos aspones.blogspot.com
Uma autêntica vergonha. Estou CHOCADO!!
 
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