2005-06-11

 

O RIDÍCULO MATA

Eduardo Prado Coelho está zangado com a comunicação social. A justificação para a sua incomodidade encontra-a na falta de destaque nos jornais, rádios e televisão para as propostas que o senhor Manuel Maria Carrilho diz ter para a cidade de Lisboa, atentos que estavam aos “aspectos mais fúteis da nossa política” exibidos no ridículo video familiar que abrilhantou a apresentação da candidatura do senhor Manuel Maria à câmara capital.
Sucede que Prado Coelho anda certamente desatento e não terá percebido que o senhor Carrilho se deslocou há muito, de armas e bagagens, para a chamada imprensa cor-de-rosa, alimentando-a com a partilha das suas adoráveis familiaridades, dos seus prazenteiros dias, dos seus ternurentos passeios, alimentando-se da estimável tiragem destas revistinhas e da sua recomendável audiência. O senhor Carrilho, optou claramente pelo estilo ligeiro (no seu entender moderníssimo) da frivolidade, da partilha do palco com os “famosos” - no limite, ser um deles.
Acontece que este é um caminho que se trilha com a suposta noção dos riscos que acarreta. Um deles é ser progressivamente incorporado no burlesco que vai criando. É por isso natural que o lançamento de uma candidatura apoiada pela patusca apresentação de um filme “intimista” com recurso à exibição provinciana e pobrezinha de cenas caseiras, seja vista como a continuação do vaudeville que o senhor Carrilho tem vindo a representar.
Um outro risco da estratégia que escolheu conhecê-lo-á quando perceber que escancarar as portas da sua intimidade às câmaras cor-de-rosa cria um hábito, as mesmas câmaras trata-lo-ão por “tu”, quererão continuar a partilhar a sua convivência mesmo quando tal não fôr já "conveniente".
Entretanto, a insuportável feira de vaidades que criou implica o esvaziamento das suas propostas o que é lamentável.
Quem tenha um projecto sério, credível, deve concentrar na sua explicação e destaque toda a atenção. Quem acredite na força do seu projecto deve apostar tudo na sua promoção.
Tem razão Eduardo Prado Coelho para estar zangado, não com a comunicação social, mas com o candidato que representaria a mais forte alternativa da esquerda para a câmara lisboeta. Tem razão Eduardo Prado Coelho para estar zangado: o ridículo mata !

Comentários:
O Sr. Prado Coelho (o Eduardo, não confundir com o Jacinto) está chateado com a comunicação social porque já não há quem lhe pague o que lhe pagavam há uns anos atrás para escrever aquelas crónicas patéticas de intelectual-de-trazer-por-casa. Por isso é que o sr. Eduardo está chateado.
O seu apoio a Carrilho compreende-se por dois motivos:
1- é uma questão de acautelar o futuro;
2- os intelectuais de pacotilha apoiam os filosofos de pacotilha para que, deste modo, pareçam menos pequenos.
Abraço.
 
Eduardo Prado Coelho só pode andar distraido, e, com ele, todos quantos pensam que ser intelectual, e de esquerda, permite todas as superficialidades de direita(?) e burrices de qualquer quadrante.
O sr MMC não vai poder queixar-se da factura das medidas impopulares de JS!!!
 
«Um deles é ser progressivamente incorporado no burlesco que vai criando.»
É pena que tão poucos estejam cientes disto mesmo!
Muito bem, como sempre, caro LS.
 
O nosso mui mediático EPC sempre se deixou fascinar por supostas sumidades filosofantes, em especial, quando estas trazem a chancela da «rive gauche parisienne». Mas, no caso vertente, esta luminária do Carrilho começa a empalidecer, não lhe restando mais que exibir a outra estrela que tem mais à mão : a sua bela esposa, Bárbara de seu nome, que já deu uma célebre cantiga a Camões. Veremos se ainda acabam no programa-cloaca do Herman a contar intimidades picantes... Assim vai Lisboa e mal assim vai Portugal...
 
O que mais "chateia" nesta frivolidade promocional é o lado apimbalhado da coisa, de mau gosto e de fraca imaginação. Deve haver aí mãozinha de marketing manhoso, do tipo do menino guerreiro...
 
Há muito que EPC cultiva as "barbaridades" escritas, agora refinou a prática, provavelmente porque lhe cheira a prebendas.
 
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