2005-06-04

 

"PRIVILÉGIOS INACEITÁVEIS"

O primeiro entre os ministros estava ciente do peso das responsabilidades próprias de quem traz más notícias, já adivinhadas há muito. Não ignorava o peso das suas palavras quando dizia ser necessário pôr cobro aos “privilégios inaceitáveis”. Conhecia (conhece), a importância do seu anúncio pedagógico, garantindo que ele seria o primeiro a perder as benesses e prebendas “inaceitáveis”.
Avisos e observações sábios que se recordam ao conhecermos a “inaceitável” acumulação de reformas e salários por governantes e presidentes insulares.
Podem estas almas compor uma expressão grave, exibindo um cenho vincado com sobrancelhas em acento circunflexo, podem até garantir que tudo isto se encontra dentro da legalidade. Podem fazê-lo que nada altera o essencial: são “privilégios inaceitáveis”.
O senhor ministro das finanças pode até ser defendido pelo senhor António Borges (eu no seu lugar era bem capaz de pensar que com amigos destes dispensaria as inimizades) pois que o senhor Borges entende que tudo isto se resume à vontade indomada, antiga, de querer ministros desprovidos de fazenda, pois que o senhor Borges sabe que um “Ministro não tem de ser pobre”. O senhor Borges que deve saber muitas coisas, que em sonhos antecipará para si próprio um futuro brilhante, que em fantasias se julgará um génio nacional ardentemente desejado, ignora contudo um ponto: “são privilégios inaceitáveis”.
E aqui para nós, bem gostaria de sublinhar ao senhor ministro, ao senhor presidente insular e a outros que haveremos de conhecer, bem gostaria de lhes dizer que concordo com o senhor Primeiro-Ministro: “são privilégios inaceitáveis”.

Comentários:
Meu Caro Luis,
São inaceitáveis para nós, porque para aquela fauna ministeriável não se discutem, como não se "discute" o seu conceito de ética e moral
 
Mas se os privilégios são inaceitáveis ainda mais o é querer esconder na legalidade e no lícito aquilo que se anuncia para os outros como inaceitável, esquecendo para si o ético.
Isto além de inaceitável é intolerável, mais ainda para quem defendeu esta gente.
Abraço
 
Concordo. Serão privilégios inaceitáveis. Mas afinal, qual é a contrapartida justa para os cargos públicos?

Numa altura que tanto se discute os “privilégios inaceitáveis” faria sentido entender a raiz da atribuição de tais regalias e a partir daí procurar soluções mais justas, tanto do ponto de vista de quem dá, mas certamente mantendo a justiça do ponto de vista de quem recebe.

Numa primeira aproximação pouco informada do problema, começo por julgar que a atribuição de renumerações vitalícias após o termo dos madatos seria uma forma de cativar os potenciais candidatos a esses cargos, sem dar a perceber a extensão da retribuição se não se conhecer mais do que o valor do salário mensal. De facto, com a informação a que eu (comum cidadão sem pesquisa activa da informação, ingénuo e otário) tinha acesso, julgava que o rendimento auferido pelos políticos e executivos de cargos públicos era inferior ao sector privado. Esta situação cai muito bem na opinião pública enquanto não for amplamente conhecido, como o é agora, o resto do iceberg.

Por outro lado, não posso deixar de achar que os cargos públicos deverão ser preenchidos pelos quadros mais qualifidados e adequados para cada uma das funções. Ao fim ao cabo, é a mesma preocupação que terá qualquer quadro dirigente de uma empresa privada. Certamente que quero o mesmo para quem vai administrar a coisa pública, que é de todos, e por conseguinte também minha.

Tendo estas duas preocupações como ponto de partida, acredito que todo este burburinho à volta do que ganham os detentores de cargos públicos, se justificará por ser uma situação envolta em alguma falta de transparência e desigualdade entre cargos públicos. Transparência, e harmonização será necessário. Além disso, também será necessário reajustar as condições oferecidas para cativar quem esteja disposto a ocupar tais lugares, para que o Estado esteja provido dos profissionais mais adequados.

A pergunta que se coloca é “Qual é a contrapartida justa para os cargos públicos?”. A resposta passará talvez pela definição de uma política comum e respectivos procedimentos para os processos de “recrutamento” desses profissionais. Certamente que não queremos os profissionaismais baratos, e de certeza que queremos clareza e a verdade.
 
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