2005-09-16

 

O GRAU ZERO

Carmona e Carrilho transformaram as eleições autárquicas de Lisboa numa questão pessoal. Fazem mal, muito mal.
No final do confrangedor debate de ontem na SIC Notícias (a fazer fé no relato da TSF), o Senhor Manuel Maria Carrilho terá deixado Carmona de mão estendida, aguardando o cumprimento que não chegou, Rodrigues, aparentemente, retribuiu com uma elegante e respeitosa observação.
A inaceitável atitude cívica de ambos, funda-se em algo mais profundo do que a falta de urbanidade. Carrilho e Carmona são actores de uma desgraçada telenovela mexicana, com profusão de bric-a-brac e horroroso argumento, apresentando-nos uma etapa outra do debate político: o grau zero.
Cada um destes senhores, deixando-se enredar em questíunculas pessoais - ritmadas por torpes insultos e linguagem soez - fez o favor de contribuir para a vulgata contra os políticos. Estas duas criaturas, deram mais uma achega para o descrédito da política e dos políticos (e concomitante enfranquecimento da democracia) acrescentando argumentos para a inaceitável confusão existente entre epifenómenos políticos (como o são estas alminhas) e a gestão da coisa pública. Também por isso, nenhum deles merece ganhar as eleições.

P.S. Ontem, ouvindo o debate, estou certo que muitos sentimos a indomada vontade de lhes dizer isto.

Comentários:
" nenhum deles merece ganhar as eleições ".
Mas um deles vai, infelizmente, ganhá-las.
 
Foi o que se pode dizer um debate de faca e alguidar!
Feio...muito feio mesmo, e para coroar, aquela deselegância final, era bem dispensável.
 
O culto do chinelo ao nível dos Paços do Concelho.
Lisboa merecia melhor, sem dúvida!
E os Lisboetas?... Creio que vão ter o que merecem.
 
A nossa política não mudará enquanto o eleitorado não penalizar este tipo de comportamentos, os quais são a antítese do debate de ideias e do confronto de projectos. Tem de se dizer BASTA à arrogância, má-educação e ausência de espírito democrático.Infelizmente, o debate de ontem constitui um paradigma do debate político em Portugal.
 
Um era professor universitário, o outro até foi ministro da cultura . Está tudo dito!
 
Parabéns pelo título do post.
Não se pode descer mais baixo!
 
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