2005-11-26

 

O REGRESSO À NORMALIDADE

Temos uma natural pulsão para celebrar as datas, as efemérides. Sejam os trinta anos do 25 de Novembro, os 365 anos da restauração ou, mais intimamente, o nosso próprio aniversário - cada um encontra motivos para recordar um facto, um acontecimento relevante.
O senhor Pedro Santana Lopes decidiu celebrar uma data que preenche o seu imaginário: a edição de um escrito do senhor Cavaco Silva. Fê-lo pretendendo pagar-lhe na mesma (má) moeda, atribuindo com fel, o mesmo título a um textozinho que fez publicar no mesmo jornal.
Num exercício de extraordinário humor em forma de prestidigitação, quis demonstrar, em doze galhofeiros pontinhos, que o país está hoje pior do que no “seu tempo”.
Acontece que o “seu tempo” foram seis demenciais meses que todos fazemos por esquecer - uma espécie de acne juvenil que, afastado à força de doses generosas de “clerasil”, deixa sempre marcas inestéticas, assumidas como custos de crescimento.
Compreensivelmente, Santana Lopes deseja “celebrar” esse feito impossível, essa improvável realização. Pretende, a todo o custo, manter viva a memória do seu sonho, do nosso pesadelo. Não surpreende que o faça recorrendo ao ridículo, não espanta que se pretenda colocar no lugar da vitima e que ameace um regresso, não admira que escolha o “Expresso” para este exercício.
As coisas vão, enfim, ganhando a arrumação natural: o “Pedro” recupera o lugar (vago) de animador de interregnos, Portas regressará ao comentário político (numa disputa mefistofélica com o seu émulo Rebelo de Sousa).
Teremos assim, o veneno no seu lugar, previsível - garantia de espectáculo e diversão nestes tempos cinzentos.

Comentários:
Luís,
Como é possível, se o carnaval ainda vem tão longe?!...
Haja paciência!
Abraço.
 
Concordo quando fala nos seis demenciais meses de Santana Lopes. E penso que esse pesadelo deve ser recordado, apenas lamentando que este novo pesadelo - na minha opinião - lhe permita (a Santana Lopes) arrogar-se no direito de aparecer novamente, assim como a outros. Quando finalmente se executar uma política bem oposta à que estes senhores defendem, o seu auditório deixará, de tão reduzido, de ter sentido.
 
Ainda não percebemos se ainda está a endoidecer ou se já está doido. Mas lá que é triste de ver...
 
O problema é que a "governação demencial" começa a ser cada vez mais a normalidade. Barroso, Santana, Sócrates, venha o diabo e escolha.
 
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